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Mais que 80 tiros!



      


      2019. Mês de abril. O Rio de Janeiro passa por uma fase que dificilmente será esquecida pelos cariocas. As tragédias que tem acontecido não são poucas e tão menos pessoais. Atinge o inconsciente coletivo. Gera revolta e comoção.
       Seja qual for a tinta a ser usada para tentar cobrir a cor de sangue carmesim do desastre em Guadalupe ou a cor inóspita de terra, do lamacento barro, que destruiu casas, sonhos e vidas, ocasionadas pela tempestade neste início de semana, tais eventos não serão esquecidos por nós, moradores desta cidade, cujo prosônimo "Cidade Maravilhosa", convenhamos, é um atributo que está se tornando exagerado para este lugar.
        Vamos nos ater, entretanto, sobre o caso ocorrido no violento bairro do subúrbio carioca o qual gerou justa revolta e cobrança por parte do poder público em razão do trágico desfecho.
         Era quase meio da tarde, próximo de 14:40h, um dia de sol, muito calor, céu azul, uma família estava a caminho de um chá de bebê e passava por uma via paralela a uma comunidade conhecida como Muquiço. Entretanto, no percurso, bem próximo ao conjunto habitacional, popularmente denominado de Minhocão, a menos de um minuto da avenida Brasil, o veículo em que estava a família foi confundido com o carro dos bandidos sendo  alvejado com dezenas de tiros de grosso calibre, que atingiu o motorista de 51 anos, várias vezes pelas costas, vitimando-o  fatalmente diante do filho, esposa e familiares.
    Nas redes sociais, nas plataformas digitais e outras mídias o foco foi, no todo, em cima da cobrança por justiça aos responsáveis pelo lastimável fato. Irreparável. Manifestação de indignação e revolta foram os sentimentos, mais do que justo, aos que se solidarizaram com a tristeza que feriu aquela família.
    Entretanto, deve-se destacar que  a gênese dessa situação aberrante tem sido os confrontos intrépidos por parte de criminosos que aterrorizam a região de Guadalupe e adjacências com roubos, furtos, sequestros relâmpagos, roubos de fuzis dos militares, invasões de quartéis,  trocas de tiros e todo tipo de crime vivenciado pelos moradores da região.
    Quem conhece bem a região se impressiona ao constatar que todos os quartéis da região tiveram, no início dos anos 90, suas baixas muretas, de pouco mais de um metro, ampliada por muros chapiscado com, no mínimo, o dobro da altura que havia, protegida com redes elétricas, arames cortantes, câmeras de vigilância, barricadas na rua e outras medidas de segurança. E não são apenas as unidades militares que se protegem. Ruas, vilas de casas de bairros próximos estão tendo seu acesso restrito por meio de portões de aço, guaritas, quebra-molas. Comunidades virtuais de moradores  se comunicam por meio de Whatsapp para informar os crimes como meio desesperador de se protegerem da violência. Reflexo do aumento da violência na região.
       A pergunta diante desse fato é: Até quando criminosos, traficantes, assassinos continuarão a ser os causadores destas tragédias aos moradores desses bairros?
         Os cidadãos de bem devem atentar que, nesse momento, os traficantes estão indiferentes à morte deste inocente. Pelo contrário, eles estão, certamente, arquitetando seus planos para ampliar seus territórios e seus patrimônios custe a vida de quem for, seja um civil, seja um militar. Seja crianças, seja mulheres. Novos atentados que, certamente, continuarão a vitimar pessoas, moradores, que nada tem que ver com essa guerra urbana.  Portanto, não devemos de deixar de atentar para o verdadeiro foco deste problema: uma cobrança do poder público efetiva não só pelo viés do combate às gangues, como também incluindo às comunidades a projetos sociais e educacionais de qualidade.
      Com tudo isso, não devemos negar que a sociedade tem de atentar que, não menos grave que este fato lamentável de domingo passado, é a não percepção dos cidadãos de bem em enxergar que mortes de inocentes continuarão a ser ceifadas, não pelas mãos de militares, mas em número estratosféricos por criminosos, que são os verdadeiros responsáveis pelos caos em nossa cidade e que se aproveitaram desta situação de fragilidade social para se fortalecerem.
      Toda manifestação é legítima, porém é urgente a sociedade se articular como poder  civil para que cobre às autoridades públicas medidas contundentes para que se evite que novos inocentes sejam vitimados  por criminosos e traficantes que propagam o terror dia e noite em vários pontos da cidade. Guadalupe e seu entorno é um desses lugares. Os olhos devem estar atentos para aqueles que todos os dias aterrorizam as nossas vidas e a dos nossos familiares e amigos. As organizações criminosas!
   
   
  

Comentários

  1. Excelente texto é muito bem construído desde sua preocupação em debater o caso e permitir que hajam opiniões expressas.

    A abordagem chamou minha atenção devido nela conter o contexto ao qual essa tragédia aconteceu e não somente buscando uma oportunidade de achar rapidamente os culpados.

    Quem reside ou já passou pela região sabe o quanto é perigoso se arriscar por esse caminho, o que em minha opinião justifica a necessidade da tropa ali.

    Com bem exposto na publicação há inúmeras instituição militares que já sofreram ataques de criminosos.

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